Entrevista com o grande ator José Augusto Branco, nosso cliente e amigo!


José Augusto Branco, ator da Rede Globo de Televisão, é o nosso entrevistado, inaugurando essa parte do blog sobre celebridades e amigos que escolheram Maricá para morar. A entrevista foi organizado pelo jornalista Ney Flávio Meirelles.

Como você vê, como um dos pioneiros da TV Globo, a invasão de jovens que alcançam o estrelato repentinamente e não têm talento para segurar uma carreira bem-sucedida?

J.A.B.- Isto faz parte da renovação! Alguns são mais e outros menos talentosos mas têm todo direito de sonhar com uma carreira artística. Nem todos vão dar certo, e é assim em todas as profissões. No início, algumas coisas são facilitadas, e depois então, o funil vai se fechando e só fica o que realmente for bom. Esta é a triagem normal da vida.

Quais as principais mudanças pelas quais passou a televisão desde a inauguração da Rede Globo em 1965 até os dias de hoje?

J.A.B. - Muitas, E todas no intuíto de melhorar a qualidade, senão não faria sentido. A Rede Globo, principalmente, à partir do momento em que foi comandada pelo Boni e pelo walter Clark, se tornou televisão do primeiro mundo. O bom gosto, esmero, novas idéias, elenco de 1ª e uma programação rica e variada, chegou à dar à Rede Globo o reconhecimento mundial, colocando-à em 1º lugar internacionalmente. E eu, particularmente, tenho muito orgulho de ter participado de toda esta renovação. Foi realmente o que se pode chamar de uma "época dourada".

E as novelas? A TV não para de fazer remakes. Agora mesmo acabou de passar "Ciranda de Pedra", baseada no livro de Lygia Fagundes Telles. Para você ainda existe um fôlego para novas idéias dentro do folhetim brasileiro ou só mesmo a repetição de velhas idéias?

JAB - Graças a Deus, sempre hão de existir cabeças pensantes!!! E assim sendo, com toda certeza sempre irão surgir novos autores. E já existem muitos, novos e talentosos. O fato de tantos "remakes" serem feitos, é porque os temas são muito bons e resistem à uma nova visão interpretativa.

Para você, dentre tantos marcantes, qual foi o papel que mais gostou de ter feito?

J.A.B. - Todos os personagens que fiz me deram alegrias. Uns mais, outros menos. Mas todos foram sempre feitos com carinho, trabalho e muita dedicação. Só para ilustrar eu citaria o Dr. Rochinha de "Saramandaia".

Na sua opinião, qual deveria ser a solução para o cinema nacional atingir um maior público, já que em termos de qualidade ele tem evoluído bastante nos últimos tempos?

J.A.B. - MAIS SALAS!!! Os exibidores têm que ceder mais salas para o cinema nacional, que sempre é protelado em favor de produções estrangeiras, às vezes de péssima qualidade. Se tivermos mais salas para exibir os filmes brasileiros é lógico que teremos muito mais público.

Um grande nome da dramaturgia do passado ou da modernidade:

J.A.B. - Oduvaldo Vianna Filho (o Vianinha) e Nelson Rodrigues.

O que é ser ator no Brasil?

J.A.B. - Um grande e gostoso sacrifício! Não é fácil mostrar nossa arte. Luta-se muito, matar um leão todos os dias. Mas a cada leão que se abate vem uma alegria imensa. E o orgulho de ter-se mostrado como um "Ator Brasileiro". Isso compensa tudo!

Qual o conselho que você daria para um jovem ator/atriz?

J.A.B. - Primeiro tem que ver se é realmente o que quer ser: um ator. Depois, estude e leia muito sobre teatro, porque é principalmenteo teatro que vailhe dar a sustentação para uma carreira sólida. Veja muito teatro, assista os bons atores e aprenda com eles. Dedique-se, dedique-se e dedique-se muito! Anossa profissão deve ser feita com muito amor. Este é o principal requisito para a realização plena.

Por que você preferiu a calma e o refúgio de Maricá?

J.A.B. - Cansei de entrar em elevadores, dar "bom dia" ou "boa noite" e não receber resposta. O medo está fazendo as pessoas ficarem mal educadas, a ponto de não responderem um simples cumprimento. Aqui em Maricá ainda é diferente. A grande maioria das pessoas é gentil.
Fala-se com todo mundo, para-se na calçada para conversar sem receio de "bala perdida". Apesar da infração de motos nas ruas, ainda se encontra lugar para estacionar. Tudo isto, para quem vem de cidades maiores, torna Maricá um verdadeiro paraíso! Sem dúvida alguma, a qualidade de vida é muito melhor. Vive-se e respira-se bem melhor!

Quais são seus animais de estimação?

J.A.B. - Cães! Os cães são a minha paixão. Nestes vinte e cinco anos que moro em Maricá, já tive aproximadamente, quinze cães, todos batizados com nomes de amigos como homenagem. Já circularam pelo meu quintal: Cauby, Nana, Alcione, Riccó, Grande Otelo, Vânia, Biro-Biro, Leci (Brandão), Agepê, Polaca, Gorda, Bjorn (Borg) e outros mais. E todos cuidados com muita competência, pelo Dr. José Geraldo Vargas e grande equipe da Veterinária São Boaventura.

Um medo?

J.A.B. - Deitar para dormir e não acordar.

Uma alegria?

J.A.B. - Um sorriso no rosto das pessoas.

Uma boa companhia?

J.A.B. - Uma boa companhia é sempre um ATO de amor.

Uma comida?

J.A.B. - Uma boa bacalhoada ou uma feijoada. Os dois para tipificar a minha descendência luso-brasileira.

Um livro?

J.A.B. - Meu livros de cabeceira são: a Bíblia e "As minhas vidas", Chico Xavier.

Tirar você do sério é preciso o que?

J.A.B. - Não agir seriamente.

Qual a sua frase preferida?

J.A.B. - Queria ser a pessoa maravilhosa que os meus cães acreditam que sou. Já notaram que eles sempre nos recebem como se fôssemos bons e lindos? Eles acreditam que somos a melhor coisa do mundo.